Mais uma vez o natal chega na ponta dos pés. Culpa desse tempo que voa e ensina.
Todo dia agradeço por ter uma visão crítica do mundo, uma visão que me faz analisar as coisas sem me envolver sentimentalmente, e agradeço também, por escolher quando te-la para que em momentos de lazer minha mente descanse e vague pelo mundo que se envolver.
O nascimento de Jesus Cristo é uma mera desculpa para as compras. O capitalismo ferve nas ruas e nós no meio de tudo isso.
Será que se deixar levar pelos costumes da sociedade é melhor? Sem esse senso crítico, a gente nem sente o desgosto que os rituais culturais (só existentes pelo dinheiro que se ganha) nos causa. Como um cego sendo levado pelo seu cão guia. E esse guia, tem mais dignidade do que as pessoas escolhidas para dar direção ao fluxo que a sociedade segue. Como o poder do rio que molda a água e que nele existe, simplesmente existe, que segue essa correnteza sem saber onde vai, só que vai, no lixo ou no luxo, vai e quantas já não foram?!
Prefiro observar da margem e existir por razão, por motivo, não por me deixar levar e morrer no mar deixando para trás vestígios de sua inútil existência.
Existo por essa razão que me alimenta de idéias e contradizem quase todos que à minha volta vivem, eu sei que é difícil, mas é muito mais divertido. Tão divertido quanto um louco rindo dentro de seu manicômio. Sozinho, fechado na sua sala e feliz.
Quantos desses já não existiram?
Deixando conteúdo novo, ainda não pensados, sais e minerais.
Evaporar!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Até que em Salvador é legal!
Ansioso para conhecer a cidade mais falada, no que diz respeito à férias, desci na segunda parada do cruzeiro para conhecer Salvador.
O primeiro contato com a cidade mesmo, não é de grande estranheza, pelo menos desembarcando de navio no porto da cidade, pois parece o centro de São Paulo.
Quando a gente sai, sai numa espécie de cercado onde nos separa dos donos de vans e taxis oferecendo pacotes de passeio aos turistas mal informados, e dos famintos baianos vendedores de pulseirinhas da Nossa Senhora do Bonfim onde eles oferecem a primeira "com todu rexpeito ao dotô" e se você aceitar fodeu! Encarna em ti como o Orixá que encarnou na mãe de santo de num terreiro de candomblé na favela do Garcia, bom, essa é uma outra historia.
Depois das pedaladas dadas nos zagueiros famintos vendedores de pulseirinhas, conseguimos seguir e descobri porque a cidade é tão quente. Cada canto um mijão, cada mijo uma quantidade de amônia que subia e invadia nossas narinas de um jeito arrombador. Sabe quando você sente um cheiro ruim e para de respirar no meio esperando o lugar passar para dar uma respirada mais forte e compensar a meia respirada? Pois quando você da essa respirada compensatória vem aquele ácido em forma de vapor de novo queimando tudo por dentro. Os baianos não querem nem saber se tem alguém vendo. Se viram de costas pra rua abrem um pouco as pernas e se aliviam ali mesmo.
Mais à frente estava o lugar onde todo mundo falava e eu esperava ser um monumento ou algo grandioso, o Mercado Modelo que na verdade é uma grande bosta! Um monte dessas barraquinhas que tem em qualquer cidade turística, vendendo esses souvenir`s feitos à mão ou sei lá Oxalá como são feitas, só sei que não achei nada de interessante nesse lugar "monumental". Já faz um tempo que pegou fogo lá e ainda tinha vestígios do estrago, completamente descuidado, devia ter queimado tudo de uma vez aquele lugar. Lá me encontrei com o pessoal que toca com a gente no navio, e fomos em cinco fazer a consulta na mãe de santo.
De carro, com um amigo do Paulinho, entramos numa favela onde a primeira coisa que pedi à Ogum, foi que saíssemos de lá, seja como for, mas vivos. Sinistro o caminho, mas chegando lá dois dos cinco foram para o bar, eu e os outros dois, seguidores do candomblé, entravamos na casa da consulta.
Uma menina com aparência de 22 anos, vestida de baiana, junto com toda sua meiguice, recebeu a gente meio assustada por chegarmos lá assim, do nada, sendo que foi indicação de uma das pessoas que estavam comigo, enfim. A minha leiguice na religião, fez com que eu boiasse na maioria dos assuntos que naquela sala onde, por mais fiéis à religião e aos costumes dela, tinha uma TV ligada na Globo. A menina contava que estava em tratamento, recesso, alguma coisa assim, e que havia se livrado de uma situação difícil espiritualmente falando e blá, blá, blá, quando entra a tão esperada mãe de santo e começa a conversar com os meus dois companheiros. Boiei mais ainda e como estávamos sem tempo, encurtaram-se os assuntos e foram ao que interessa.
Enquanto a primeira jogada de búzios acontecia, o Baby, e eu, esperávamos do lado de fora trocando algumas idéias, e de fundo se ouvia uma cantoria, umas vozes mais imponentes que me chamaram atenção e às vezes nem ouvia a voz dessas idéias trocas alí mortas por minha parte, enquanto uma negra, bem negra mesmo, andava de lá pra cá, daqui pra lá, com umas plantas e uns baldes com água que eram rodados na sua cabeça e jogadas para fora da casa, e todo esse ritual narrado pelo Baby que Fazia sentido para quem acreditava. Ele comparava com coisas cotidianas, como um check-up da minha saúde ou uma revisão de um carro, falando que era importante e blá, blá, blá.
De repente um mulato de voz fina nos chama, a gente entra que tira o sapato. Ele esfrega aquelas folhas trazidas pela negona no meu corpo todo, dei três pulinhos nas ali esmagadas folhas que levaram consigo todas as impurezas do meu corpo (é o que se diz) com um tutti de vozes cantadas (as músicas que eu já havia ouvido lá de fora). Quando menos percebi a mãe de santo não era ela, mas sim um rixá que possuía todo seu corpo, falava “elado” e ficava andando de um lado para o outro falando coisas óbvias que qualquer ser humano que tenha um cotidiano comum teria, pessoas invejosas, problemas no amor e etc.
Depois de falar as “coisas misteriosas para qualquer um” era hora do espírito ir embora, e ele puxava as músicas que, pelas pessoas ali na sala (a irmã, a baiana meiga, o mulato de voz fina e a negona), eram cultuadas, eu não tirava o olha da mãe de santos, que ali era o espírito, e ficava reparando que de vez enquanto ela (ele, sei lá) se batia no peito e era apartada pela irmã que aos passos da dança à acompanhava. Percebi que o espírito estava usando, meio que se aproveitando de seu corpo para essa dança toda quando se batia, já que o corpo não era dele mesmo. Isso foi o que mais me deixou receoso porque uma senhora não teria tando fôlego para tantas giradas dadas ali.
Resultado, saí de lá sem minha consulta de búzios, sem saber quem é o meu Orixá e sobre as coisas da vida, pois esse espírito ali encarnado não estava nos planos. Embora ele só tenha falado algo sobre mim, “nem tudo que brilha é ouro”, “existem pessoas que me invejam” e etc, deixei um dinheiro lá, junto com os meus companheiros.
Saindo dessa loucura toda, fomos ao pelourinho que se não fosse a rabada e o sorvete que a gente comeu lá não seria nada demais, o mesmo monte de bosta de barraquinhas que o Mercado Modelo. Para sair de lá a gente pegou um elevador que custa cinco centavos e o cobrador juntava numa caixa onde já tinham milhares de moedas de viagens anteriores, eu ficava imaginando, o que são cinco centavos até mesmo para um mendigo? Pensei nisso pois tinha um nesse elevador junto com os bacanas trajados de baianos, com colares e tranças invocadas no cabelo, enfim.. as moedas, se fossem de dez centavos essas milhares seriam dobradas e se custasse quinze, um real que seja, porra, daria até para o governo fazer um caixa dois. Baiano é lerdo até para roubar.
Pagado essa fortuna, descemos num elevador a jato, acho que o mais rápido que já desci em toda minha vida, as pessoas até comentavam, “se fulano estivesse aqui estaria morrendo de medo” como se fosse um desafio gigantesco. Turista é bobo até nessas horas né? Acha que fez uma super aventura descendo nesse elevador, comprando trajes baianos e achando tudo isso maravilhoso. Se você visse as brincadeiras que as pessoas fazem no navio. Piores que as do Topa tudo por dinheiro, mas para você ver que ponto esses turistas são idiotas, ele pagam tudo por essa diversão fraca.
Descendo desse elevador, passamos de novo pelo Mercado Modelo “de cocô”, só por que era passagem mesmo pois jurei para mim mesmo nunca mais nem olhar e, se possível, ouvir falar naquilo. Fomos espertos em andar do outro lado da calçada mijada, mas essa, também, havia várias marcas de alívios de baianos nos muros, não era tão fedida quando a outra, mas mesmo assim fedia pra caralho.
Ao fazer o check-out alguns passageiros, como de costume em filas, ainda mais no final da viagem, falavam dos pontos positivos e negativos do cruzeiro. Enquanto um gato de subúrbio falava mal do atendimento e do transito que teria que pegar até chegar em São Paulo, uma mulher mais velha que ele e de muito mais astral, talvez por ser de Natal, contradizia todo o estrés do cara, e me surpreendi com ela, gostei muito do que falava e como falava, com aquele sotaque que até eu perdoaria. Então, quando dei por mim, já estava falando com ela sobre a viagem e sobre Salvador. Falei que eu mesmo tinha me surpreendido com a cidade e que estava certo de que tinha conhecido só a parte mais pobre. Ela me contou das praias, dos passeios históricos e me convenci que realmente a cidade tem seu valor tanto histórico quanto visual.
Apesar de todas essas idéias ruins da cidade se fortificarem quando conversava com os outros passageiros, fiquei aliviado com essa conclusão da minha visita à Salvador.
O primeiro contato com a cidade mesmo, não é de grande estranheza, pelo menos desembarcando de navio no porto da cidade, pois parece o centro de São Paulo.
Quando a gente sai, sai numa espécie de cercado onde nos separa dos donos de vans e taxis oferecendo pacotes de passeio aos turistas mal informados, e dos famintos baianos vendedores de pulseirinhas da Nossa Senhora do Bonfim onde eles oferecem a primeira "com todu rexpeito ao dotô" e se você aceitar fodeu! Encarna em ti como o Orixá que encarnou na mãe de santo de num terreiro de candomblé na favela do Garcia, bom, essa é uma outra historia.
Depois das pedaladas dadas nos zagueiros famintos vendedores de pulseirinhas, conseguimos seguir e descobri porque a cidade é tão quente. Cada canto um mijão, cada mijo uma quantidade de amônia que subia e invadia nossas narinas de um jeito arrombador. Sabe quando você sente um cheiro ruim e para de respirar no meio esperando o lugar passar para dar uma respirada mais forte e compensar a meia respirada? Pois quando você da essa respirada compensatória vem aquele ácido em forma de vapor de novo queimando tudo por dentro. Os baianos não querem nem saber se tem alguém vendo. Se viram de costas pra rua abrem um pouco as pernas e se aliviam ali mesmo.
Mais à frente estava o lugar onde todo mundo falava e eu esperava ser um monumento ou algo grandioso, o Mercado Modelo que na verdade é uma grande bosta! Um monte dessas barraquinhas que tem em qualquer cidade turística, vendendo esses souvenir`s feitos à mão ou sei lá Oxalá como são feitas, só sei que não achei nada de interessante nesse lugar "monumental". Já faz um tempo que pegou fogo lá e ainda tinha vestígios do estrago, completamente descuidado, devia ter queimado tudo de uma vez aquele lugar. Lá me encontrei com o pessoal que toca com a gente no navio, e fomos em cinco fazer a consulta na mãe de santo.
De carro, com um amigo do Paulinho, entramos numa favela onde a primeira coisa que pedi à Ogum, foi que saíssemos de lá, seja como for, mas vivos. Sinistro o caminho, mas chegando lá dois dos cinco foram para o bar, eu e os outros dois, seguidores do candomblé, entravamos na casa da consulta.
Uma menina com aparência de 22 anos, vestida de baiana, junto com toda sua meiguice, recebeu a gente meio assustada por chegarmos lá assim, do nada, sendo que foi indicação de uma das pessoas que estavam comigo, enfim. A minha leiguice na religião, fez com que eu boiasse na maioria dos assuntos que naquela sala onde, por mais fiéis à religião e aos costumes dela, tinha uma TV ligada na Globo. A menina contava que estava em tratamento, recesso, alguma coisa assim, e que havia se livrado de uma situação difícil espiritualmente falando e blá, blá, blá, quando entra a tão esperada mãe de santo e começa a conversar com os meus dois companheiros. Boiei mais ainda e como estávamos sem tempo, encurtaram-se os assuntos e foram ao que interessa.
Enquanto a primeira jogada de búzios acontecia, o Baby, e eu, esperávamos do lado de fora trocando algumas idéias, e de fundo se ouvia uma cantoria, umas vozes mais imponentes que me chamaram atenção e às vezes nem ouvia a voz dessas idéias trocas alí mortas por minha parte, enquanto uma negra, bem negra mesmo, andava de lá pra cá, daqui pra lá, com umas plantas e uns baldes com água que eram rodados na sua cabeça e jogadas para fora da casa, e todo esse ritual narrado pelo Baby que Fazia sentido para quem acreditava. Ele comparava com coisas cotidianas, como um check-up da minha saúde ou uma revisão de um carro, falando que era importante e blá, blá, blá.
De repente um mulato de voz fina nos chama, a gente entra que tira o sapato. Ele esfrega aquelas folhas trazidas pela negona no meu corpo todo, dei três pulinhos nas ali esmagadas folhas que levaram consigo todas as impurezas do meu corpo (é o que se diz) com um tutti de vozes cantadas (as músicas que eu já havia ouvido lá de fora). Quando menos percebi a mãe de santo não era ela, mas sim um rixá que possuía todo seu corpo, falava “elado” e ficava andando de um lado para o outro falando coisas óbvias que qualquer ser humano que tenha um cotidiano comum teria, pessoas invejosas, problemas no amor e etc.
Depois de falar as “coisas misteriosas para qualquer um” era hora do espírito ir embora, e ele puxava as músicas que, pelas pessoas ali na sala (a irmã, a baiana meiga, o mulato de voz fina e a negona), eram cultuadas, eu não tirava o olha da mãe de santos, que ali era o espírito, e ficava reparando que de vez enquanto ela (ele, sei lá) se batia no peito e era apartada pela irmã que aos passos da dança à acompanhava. Percebi que o espírito estava usando, meio que se aproveitando de seu corpo para essa dança toda quando se batia, já que o corpo não era dele mesmo. Isso foi o que mais me deixou receoso porque uma senhora não teria tando fôlego para tantas giradas dadas ali.
Resultado, saí de lá sem minha consulta de búzios, sem saber quem é o meu Orixá e sobre as coisas da vida, pois esse espírito ali encarnado não estava nos planos. Embora ele só tenha falado algo sobre mim, “nem tudo que brilha é ouro”, “existem pessoas que me invejam” e etc, deixei um dinheiro lá, junto com os meus companheiros.
Saindo dessa loucura toda, fomos ao pelourinho que se não fosse a rabada e o sorvete que a gente comeu lá não seria nada demais, o mesmo monte de bosta de barraquinhas que o Mercado Modelo. Para sair de lá a gente pegou um elevador que custa cinco centavos e o cobrador juntava numa caixa onde já tinham milhares de moedas de viagens anteriores, eu ficava imaginando, o que são cinco centavos até mesmo para um mendigo? Pensei nisso pois tinha um nesse elevador junto com os bacanas trajados de baianos, com colares e tranças invocadas no cabelo, enfim.. as moedas, se fossem de dez centavos essas milhares seriam dobradas e se custasse quinze, um real que seja, porra, daria até para o governo fazer um caixa dois. Baiano é lerdo até para roubar.
Pagado essa fortuna, descemos num elevador a jato, acho que o mais rápido que já desci em toda minha vida, as pessoas até comentavam, “se fulano estivesse aqui estaria morrendo de medo” como se fosse um desafio gigantesco. Turista é bobo até nessas horas né? Acha que fez uma super aventura descendo nesse elevador, comprando trajes baianos e achando tudo isso maravilhoso. Se você visse as brincadeiras que as pessoas fazem no navio. Piores que as do Topa tudo por dinheiro, mas para você ver que ponto esses turistas são idiotas, ele pagam tudo por essa diversão fraca.
Descendo desse elevador, passamos de novo pelo Mercado Modelo “de cocô”, só por que era passagem mesmo pois jurei para mim mesmo nunca mais nem olhar e, se possível, ouvir falar naquilo. Fomos espertos em andar do outro lado da calçada mijada, mas essa, também, havia várias marcas de alívios de baianos nos muros, não era tão fedida quando a outra, mas mesmo assim fedia pra caralho.
Ao fazer o check-out alguns passageiros, como de costume em filas, ainda mais no final da viagem, falavam dos pontos positivos e negativos do cruzeiro. Enquanto um gato de subúrbio falava mal do atendimento e do transito que teria que pegar até chegar em São Paulo, uma mulher mais velha que ele e de muito mais astral, talvez por ser de Natal, contradizia todo o estrés do cara, e me surpreendi com ela, gostei muito do que falava e como falava, com aquele sotaque que até eu perdoaria. Então, quando dei por mim, já estava falando com ela sobre a viagem e sobre Salvador. Falei que eu mesmo tinha me surpreendido com a cidade e que estava certo de que tinha conhecido só a parte mais pobre. Ela me contou das praias, dos passeios históricos e me convenci que realmente a cidade tem seu valor tanto histórico quanto visual.
Apesar de todas essas idéias ruins da cidade se fortificarem quando conversava com os outros passageiros, fiquei aliviado com essa conclusão da minha visita à Salvador.
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